REVIEW: Assassin’s Creed Valhalla – O jogo mais complexo da franquia
Após uma experiência completa no PC, analisamos todos os aspectos de Assassin’s Creed Valhalla para descobrir se o capítulo viking da franquia consegue equilibrar escala, narrativa e gameplay.
Depois de mais de 90 horas de jogo, concluindo a campanha principal e todas as expansões lançadas para Assassin’s Creed Valhalla, fica claro que este é o projeto mais ambicioso e complexo já produzido pela Ubisoft dentro da franquia.
Valhalla leva a fórmula iniciada em Assassin’s Creed Origins e expandida em Odyssey a um novo patamar. O mundo é gigantesco, os sistemas de RPG são profundos, a exploração é constantemente recompensada e há uma enorme quantidade de atividades espalhadas pelos mapas da Inglaterra, Noruega, Vinlândia e pelas regiões adicionadas nas expansões.
Toda essa ambição, porém, tem um preço. A campanha é extremamente longa, o ritmo nem sempre consegue acompanhar a quantidade de conteúdo disponível e algumas mecânicas acabam se tornando repetitivas ao longo da jornada. Ainda assim, quando todos os seus sistemas funcionam em conjunto, Valhalla entrega uma experiência única dentro da série.
Esta análise foi produzida após uma experiência completa no PC, incluindo a campanha principal e todos os DLCs, permitindo avaliar não apenas a evolução da história de Eivor, mas também o conteúdo adicional que amplia significativamente a duração e o universo do jogo.
Ao longo desta review, vamos analisar cada aspecto de Assassin’s Creed Valhalla, destacando seus principais acertos, suas limitações e os motivos que fazem dele o jogo mais complexo de toda a franquia.

Gostei muito da história de Assassin’s Creed Valhalla. Ela é extremamente focada na vida de Eivor e, principalmente, na sua relação com Sigurd. Acho que isso faz toda a diferença durante a campanha. Mesmo Eivor nunca entrando oficialmente para os Ocultos, ele está ao lado deles durante praticamente toda a jornada e acaba agindo como um deles em diversos momentos.
A história é grandiosa e, na minha opinião, esse é um dos seus maiores acertos. Se você não tiver pressa para concluir as missões principais, consegue viver praticamente tudo o que um viking viveria naquela época. Os saques aos mosteiros, as alianças políticas, a exploração da Inglaterra, a construção e evolução do assentamento, as disputas entre reinos e as inúmeras histórias paralelas fazem com que a campanha pareça uma verdadeira jornada de conquista.
Ao mesmo tempo, o jogo tem realmente muito conteúdo. Tanto que, inevitavelmente, você termina a campanha antes de encontrar tudo o que Valhalla oferece. Mesmo tentando explorar cada região, procurando tesouros, armaduras e armas antes de avançar na história, sempre fica a sensação de que ainda existe algo para descobrir.
Esse excesso de conteúdo também tem um lado negativo. Se você resolver fazer absolutamente tudo antes de seguir com a campanha principal, ficará tão forte que praticamente nenhuma missão representará um desafio, nem mesmo as principais. Em vários momentos senti que meu equipamento e minhas habilidades estavam muito acima do que o jogo esperava.
Comparando com Assassin’s Creed Origins e Odyssey, Valhalla é diferente principalmente pela forma como utiliza os Ocultos. A narrativa não está diretamente ligada a eles nem ao protagonista, embora Eivor esteja constantemente envolvido com a ordem. Ainda assim, não considero que os três jogos sejam tão diferentes entre si em termos de gameplay e estrutura narrativa. Quem gostou de Origins e Odyssey provavelmente também vai gostar de Valhalla, assim como quem não gostou dos anteriores dificilmente mudará de opinião aqui.
A campanha prende muito o jogador, mas isso depende da forma como você encara a experiência. Se entrar no jogo querendo realmente viver aquela época, construir seu assentamento, explorar cada região da Inglaterra e conhecer as histórias de cada personagem, Valhalla entrega uma aventura extremamente recompensadora. Por outro lado, se sua expectativa for apenas descobrir rapidamente o que acontece na história principal ou acompanhar exclusivamente a lore da franquia, talvez a experiência seja mais decepcionante, mesmo que os acontecimentos do jogo sejam extremamente importantes para o universo de Assassin’s Creed.
O final também pode dividir opiniões. Ele é bem diferente do que muitos esperam e bastante impactante. Além disso, várias decisões tomadas durante a campanha influenciam o desfecho. Não são mudanças gigantescas, mas suficientes para fazer você refletir sobre a maneira como conduziu a jornada de Eivor.
Outro ponto importante é que o Arco de Asgard praticamente deixa de ser opcional para quem quer entender completamente a história. Se você terminar a campanha principal sem jogar essa parte, provavelmente ficará sem entender várias falas do Basim, principalmente tudo o que envolve seu filho e a raiva que ele demonstra em relação a Eivor. Foi uma escolha narrativa ousada da Ubisoft, mas que exige do jogador explorar também esse conteúdo paralelo.
A ideia de mostrar Odin e os demais Isu renascendo naquela época também pode causar estranhamento. É um conceito completamente novo dentro da franquia e imagino que muita gente possa se decepcionar com essa direção. Eu mesmo estranhei no começo. Porém, conforme a história avança, tudo começa a fazer sentido e se conecta de maneira muito interessante.
No fim das contas, acho que Valhalla consegue amarrar muito bem todas as linhas do tempo da franquia. Para quem gosta da lore de Assassin’s Creed, o jogo entrega algumas das revelações mais importantes da série, incluindo os acontecimentos envolvendo Basim, seu sangue sendo entregue a William Miles para que ele descubra mais sobre seu passado e toda a preparação para os eventos que seriam desenvolvidos em Assassin’s Creed Mirage.

Gameplay
O combate de Assassin’s Creed Valhalla é extremamente satisfatório. Ele é fácil de aprender, mas oferece profundidade suficiente para quem gosta de experimentar diferentes estilos de luta. Os golpes transmitem uma ótima sensação de impacto e realmente fazem você sentir o peso das armas contra os inimigos.
A variedade de equipamentos também impressiona. Espadas, espadas longas, machados, escudos, lanças e diversas outras combinações podem ser utilizadas em conjunto com as habilidades desbloqueadas na enorme árvore de talentos. Existem muitas possibilidades para montar sua própria build e adaptar o combate ao seu estilo de jogo.
A exploração também é bastante recompensadora. Os mapas possuem identidades próprias e dificilmente passam a sensação de serem apenas cópias uns dos outros. As missões secundárias também fogem do padrão repetitivo encontrado em muitos jogos de mundo aberto. Cada região apresenta pequenas histórias, personagens e situações diferentes, o que faz a exploração permanecer interessante durante boa parte da campanha.
Os saques aos mosteiros continuam sendo um dos momentos mais divertidos do jogo. Liderar sua tripulação, invadir construções e conquistar recursos reforça constantemente a fantasia de viver como um viking.
O assentamento de Ravensthorpe também é um dos pilares da experiência, embora eu ache que sua evolução poderia ser um pouco mais enxuta. Alcançar o nível máximo do assentamento acaba se tornando uma tarefa um pouco cansativa e algumas atividades não entregam a recompensa que o jogador espera.
O maior exemplo disso acontece com a Ordem dos Anciões. Depois de eliminar todos os seus membros e entregar todos os medalhões para Hytham, praticamente não existe uma recompensa significativa em termos de gameplay. A revelação envolvendo o rei Alfred e a transformação da Ordem dos Anciões naquilo que mais tarde se tornaria a Ordem dos Templários é excelente para quem acompanha a lore da franquia, mas o jogo deveria recompensar melhor o jogador também na prática. A recompensa narrativa é muito boa, mas ela não deveria existir em detrimento de uma recompensa dentro do próprio jogo.
Apesar da enorme variedade de armas, armaduras e habilidades, eu praticamente não senti vontade de mudar minha build durante toda a campanha. Depois que você encontra um conjunto de equipamentos que funciona bem e se adapta ao seu estilo de jogo, não existe um incentivo real para experimentar outras combinações. Isso acaba diminuindo o impacto da enorme quantidade de opções oferecidas pelo sistema de RPG. Afinal, de que adianta oferecer tantas possibilidades se o jogo praticamente nunca exige que você saia daquilo que já está funcionando?
Mesmo anos após o lançamento, ainda encontrei alguns problemas técnicos. Tive alguns crashes ocasionais e presenciei animações quebradas durante golpes finalizadores, com situações em que Eivor executava um inimigo que sequer estava próximo dele. Felizmente, foram problemas pontuais e, no meu caso, nunca chegaram a comprometer a experiência de forma significativa.
Um ponto que gerou muitas críticas desde o lançamento foi o parkour, mas sinceramente nunca enxerguei isso como um problema em Valhalla. Eivor não é um Oculto. Ele é um viking. Diferente de Ezio ou Basim, seu objetivo não é atravessar cidades pelos telhados evitando confrontos. Na maior parte do tempo, faz muito mais sentido simplesmente entrar pela porta da frente e enfrentar quem aparecer. Dentro da proposta do jogo, essa mudança de foco funciona e combina perfeitamente com a personalidade do protagonista.
